Somos um bando de presunçosos. A geração da indiferença fingida.
Somos a galera do premeditadamente demorar pra responder “pra não parecer que tô dando moral”, do “não vou falar do que sinto pra não parecer que é desespero”, do “ não me importo”, do “não tô nem aí”, do “foda-se”.
Somos o time do “se não falar comigo, também não falo com você” contra o time do “se não me mandar mensagem também não mando”. Só que nesse jogo, todo mundo sai perdendo.
A gente compete pra ver quem sente menos, quem demonstra menos, quem é mais babaca.
Somos a horda dos mil contatinhos e nenhuma ligação inesperada, nenhuma mensagem sem motivo no meio da madrugada. Incontáveis “nossa, você sumiu” e nenhum “estou indo te ver”.
Limitamos interações sociais em prol de “não ser trouxa”. O orgulho nos faz parecer fortes e imunes a tudo e, pra nós, só as aparências importam.
Sofremos em silêncio no quarto, mas postamos fotos sorridentes na balada. A gente chora embaixo do chuveiro, mas acha indigno pedir um abraço, pedir desculpas.
Iludidos.
Nos convencemos de que amor próprio é amor nenhum. E seguimos sem saber como poderia ter sido, porque nos cagamos de medo de tentar. E nessa ânsia de parecer descolados, viramos uns coitados. Na ânsia aparentar desapego, nos desapegamos de nós mesmos. Dos nossos sentimentos. Dos nossos desejos.
Qualquer dia desses teremos uma epifania e vamos sacar que o sentido da vida é sentir. Mas aí, já era.
Otários é o que somos. Uma geração de otários.
Somos a galera do premeditadamente demorar pra responder “pra não parecer que tô dando moral”, do “não vou falar do que sinto pra não parecer que é desespero”, do “ não me importo”, do “não tô nem aí”, do “foda-se”.
Somos o time do “se não falar comigo, também não falo com você” contra o time do “se não me mandar mensagem também não mando”. Só que nesse jogo, todo mundo sai perdendo.
A gente compete pra ver quem sente menos, quem demonstra menos, quem é mais babaca.
Somos a horda dos mil contatinhos e nenhuma ligação inesperada, nenhuma mensagem sem motivo no meio da madrugada. Incontáveis “nossa, você sumiu” e nenhum “estou indo te ver”.
Limitamos interações sociais em prol de “não ser trouxa”. O orgulho nos faz parecer fortes e imunes a tudo e, pra nós, só as aparências importam.
Sofremos em silêncio no quarto, mas postamos fotos sorridentes na balada. A gente chora embaixo do chuveiro, mas acha indigno pedir um abraço, pedir desculpas.
Iludidos.
Nos convencemos de que amor próprio é amor nenhum. E seguimos sem saber como poderia ter sido, porque nos cagamos de medo de tentar. E nessa ânsia de parecer descolados, viramos uns coitados. Na ânsia aparentar desapego, nos desapegamos de nós mesmos. Dos nossos sentimentos. Dos nossos desejos.
Qualquer dia desses teremos uma epifania e vamos sacar que o sentido da vida é sentir. Mas aí, já era.
Otários é o que somos. Uma geração de otários.
― Cris Moura
Aug 04 23:10 with 1 note
Me perdi em minha própria vida e não sei o que fazer. Meus medos estão me engolindo.
― Pedro Peixoto. (via imno-t)
(Source: aprendizdepoeta)
Jul 29 18:54 with 8,568 notes